Revisitando “Solaris”: como o clássico de Lem mudou a literatura

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Existem pautas que nos pegam de surpresa, e outras que não aguentamos de vontade para colocar no papel.

O texto de hoje é do segundo tipo.

Qual foi minha surpresa ao navegar pelos canais da editora Aleph e descobrir que Solaris, clássico insuperável de Stanislaw Lem, ganharia uma nova (e linda) versão brasileira.

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4 livros para quem curte “Kuzu no Honkai”

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Grande sucesso da temporada, Kuzu no Honkai tem colecionado elogios por nos apresentar uma história que não vemos todos os dias: um antirromance.

Enquanto que muitos autores nos trazem amores açucarados e previsíveis, o anime se destacou por trazer personagens imperfeitas, em relações que trazem mais dor que felicidade. Um balde de água fria em um gênero marcado pela idealização.

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“O Museu do Silêncio”: as memórias (e a literatura) são universais

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Muitos anos atrás, um primo italiano, restaurador, deu para minha mãe um vaso que encontrou em um sítio arqueológico. Ele o escavara em Cariati, uma pequenina cidade do sul da Itália de onde veio a minha família.

Estava em pedaços e parecia ser muito antigo. Grego? Romano? Etrusco? Ninguém sabia ao certo, mas não importava. Minha família sempre o tratou como um tesouro sem igual.

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“História da Sua Vida”: o conto que inspirou “A Chegada”

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Tudo isso que eu já vi na guerra, (…) tanta falta de sentido, violência… me fez pensar sobre falta de comunicação. Quer dizer, essa não é a raiz de tudo isso? Conflitos, guerras… no final das contas, não é tudo questão de linguagem? As palavras que ouvimos e que dizemos e que não são sempre as mesmas. E eu pensei: e se houvesse uma só língua – uma língua universal?

A sacada é do xerife Hank Larsson, personagem da série Fargo. É uma ideia atraente, em que todos nós, em algum momento, já devemos ter pensado.

E se tudo o que houvesse de errado na terra fossem apenas problemas de comunicação?

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“Goshiki no Fune”: A sociedade humana é o maior dos shows de horrores

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É a cultura que torna as pessoas cruéis? Ou não seriam as próprias pessoas, maldosas por natureza, que produzem uma cultura à sua imagem?

Essa é uma daquelas perguntas que mais custa a nos deixar em paz. De discussões sobre jogos violentos à repercussão de crimes bárbaros, somos atormentados pela possibilidade de que o verdadeiro mal está no nosso coração, longe do alcance de qualquer lei reguladora.

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“Helter Skelter”: o culto às aparências é muito mais forte do que imaginamos

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Até onde você iria por uma aparência perfeita?

Hoje em dia, é provável que a resposta seja “não muito longe”. Poucas coisas são marcas mais fortes da nossa geração do que a crítica à beleza a todo custo. “Come as you are “tornou-se um lema para a forma como nos relacionamos com a moda, com a etiqueta e com nossos próprios corpos.

Se isso fosse realmente verdade, é pouco provável que Helter Skelter, mangá vencedor do prêmio Osamu Tezuka em 2004, lançado recentemente no Brasil, fizesse tanto sucesso.

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Por dentro do “Fausto” de “Madoka”

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É fato conhecido entre fãs de Madoka que o mahou shoujo de Gen Urobochi foi inspirado em Fausto. A homenagem é frequentemente comentada em resenhas do anime, como nessa ou nessa.

Não que a produção da SHAFT tenha feito muitos esforços para esconder o tributo. Frases em alemão tiradas diretamente da peça estão literalmente espalhadas pelas cenas do anime:

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