4 dicas para você perder o medo de jogos muito longos

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Todo mundo conhece a história.  O sujeito passou a infância ou a adolescência vidrado em games. Virava noites com Zelda, Final Fantasy ou Baldur’s Gate. Chegou a todos os finais dos Fallout 1 e 2. Lembra de Ald’ruhn e Balmora, cidades de Morrowind, mais do que da casa em que passou a infância. Aí perguntamos: “E hoje, o que você anda jogando?” E a resposta: “Não dá mais. Hoje, só jogos curtos”.

Comigo foi assim semana passada. Em uma conversa recente, ouvi um colega dizer que investiu U$ 260,00 no kickstarter do Shenmue 3. Disse que chorou ao ver o anúncio na E3. Perguntei em que plataforma ele iria jogar; ele disse o PS4. Perguntei se ele tinha um PS4; ele disse que compraria só para jogar Shenmue. Eis que meu radar de gamer hardcore começou a apitar.

Lancei então a pergunta: e o Final Fantasy VII? O que achavam do remake?

Nesse ponto, o tom mudou. Outro colega disse: “Jogava quando era moleque. Hoje em dia é impossível.” Parou de jogar videogames? Não, jogava ainda, só não mais jogos longos.

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É possível ser “velho demais” para ir a convenções?

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Resposta curta: óbvio que não. Em um evento público, a entrada é liberada, e todos serão bem-vindos. Jovens de perucas coloridas e props gigantes de MDF são as últimas pessoas do mundo a julgar as outras pelas aparências.

Resposta longa: como todos que já estudaram marketing sabem, “todo mundo” não é um público alvo. Em um sentido literal, é evidente que convenções de anime, games e quadrinhos são abertas a qualquer um. Porém, na prática, estaria o estereótipo de que cultura nerd é coisa de adolescente de fato ultrapassado?

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Um Ano “sem” Studio Ghibli: O que Miyazaki e Companhia nos Deixaram

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O aviso foi feito em 2014: o Studio Ghibli não faria novos filmes, ao menos por um tempo. O fã de longa data, que escuta Miyazaki anunciar a aposentadoria desde 1997, deve ter ficado incrédulo. Porém, um ano depois, parece que seu produtor, Toshio Suzuki, falava sério. Quando Estava com Marnie, lançado no Japão ano passado e em Blu Ray esse ano no ocidente, foi o último coelho a sair da cartola. A companhia que nos deu Totoro e Nausicaa está sem planos imediatos para novos lançamentos.

Aos abalados, um consolo. Suzuki garante que o estúdio voltará, mas deve passar por uma reformulação. Será que as coisas voltarão a ser como antes? Ou teria a era dos filmes clássicos de Miyazaki e Takahata chegado, finalmente, ao seu fim?

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O que The Witcher 3 nos Ensina Sobre Afeto

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Qual foi a última vez que você se pegou pensando em uma personagem de videogame como uma pessoa real? Que passou o dia agonizando após um criatura de pixels e voz pré-gravada lhe dar as costas, ou “morrer” graças às suas ações?

Para fãs de CRPG a pergunta é quase retórica. O gênero veio de histórias coletivas criadas em rodas entre amigos e levou a mesma vibe aos computadores e consoles. Se fãs de estratégia esperam nações e territórios e fãs de tiro olham para balas e alvos, RPGistas estão atrás de pessoas.

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Fallout e o Charme do Apocalipse

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A guerra nunca muda… Mas outras coisas sim, e como. Em uma frase, este é o apelo do gênero pós-apocalíptico, hypado na E3 desse ano com o anúncio de uma de suas franquias mais populares. A reação online a Fallout 4 não deixa dúvidas de que este será um dos grandes hits do fim do ano.

De onde, porém, vem todo esse entusiasmo? É consequência apenas do sucesso da série, nas mãos primeiro da Interplay, depois da Bethesda (e brevemente da Obsidian)? Acredito que não. Tal como a fantasia medieval e a Segunda Guerra, a Terra pós-apocalíptica é um cenário sedutor como poucos outros. Com uma tradição literária e cinematográfica respeitável, o gênero caiu como uma luva nos RPGs, aos quais trouxe uma vibe completamente nova.

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O Homem de Palha que Você Nunca Conheceu

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Christopher Lee, morto semana passada, foi um daqueles homens que nos fazem perguntar o que tanto fazemos sentados no sofá. Em 93 anos de vida, interpretou mais de 250 papeis, lutou em quase todos os fronts da Segunda Guerra Mundial e aproveitou para escalar o Monte Vesúvio durante uma folga após a batalha de Monte Cassino – uma das mais sangrentas do conflito. Falava inglês, italiano, francês, espanhol, alemão, sueco, russo, grego e mandarim. Era treinado em canto lírico e gravou CDs de Heavy Metal, tornando-se o músico mais velho a entrar na lista de mais ouvidos do Reino Unido. Foi amigo de J.R.R. Tolkien e primo de Ian Fleming, o criador de James Bond.

Cada um tem uma razão especial para lamentar sua morte. Para alguns, foram os vilões a quem deu vida no fim de carreira, Saruman e Conde Dooku. Para as gerações mais antigas, talvez seja sua interpretação do Conde Drácula. De minha parte, cito aquele que, na opinião do grande ator (e desse humilde blogueiro) foi o seu melhor filme: O Homem de Palha de 1973.

Em situações normais, bastaria citar o título para deixar registrada a homenagem. Infelizmente, O Homem de Palha foi um filme tão diferente, tão mutilado por cortes, prejudicado por uma distribuição maluca e pelo seu próprio legado que a recomendação precisa de uma disclaimer. Assim, aqui vão três pontos para tentar encorajar os que até agora nunca se interessaram por  esse clássico do terror a vê-lo. Continuar lendo O Homem de Palha que Você Nunca Conheceu

O Monstro Dentro de Cada Um de Nós

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Aquele que luta contra monstros deve ter cautela para que ele também não se transforme em um monstro.

A frase é de Nietzsche, embora tenha se popularizado (um tiquinho modificada) na voz de Idris Elba no filme Pacific Rim. No que diz respeito aos nossos medos, a afirmação vai direto ao ponto. Monstros apavoram, mas o medo é muito maior quando sabemos que eles têm uma casca de humanidade. Dos lobisomens aos serial killers, do vampirismo à loucura, poucas coisas fazem homens tremerem nas bases mais do que saberem que podem sucumbir à selvageria.

Ainda assim, há uma pequena nuance na frase que a torna ainda mais interessante. E se fosse o ato mesmo de caçar monstros que os faz surgir em primeiro lugar? E se a distância entre caçadores e criaturas for pequena – pequena demais, talvez, para que a maioria das pessoas a perceba? E se eles – tanto monstros quanto herois – não pertencerem ao mundo “normal”, mas fizerem parte de um outro: um jogo de gato e rato mortal em que inocentes estão à mercê de sua violência?

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