Profissionais do Cosplay: Kath Cavalcante

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Nessa coluna, eu trago a vocês depoimentos daqueles que, de uma maneira ou de outra, se transformaram em “profissionais” do cosplay. Para alguns, foi uma atividade paralela, uma forma, muitas vezes, de custear os próprios trajes. Para outros, uma segunda vida fazendo aquilo que mais amam. Para outros, ainda, uma profissão à qual se dedicam noite e dia.

Kath Cavalcante é alguém que eu não conhecia de nome, mas com cujo trabalho já havia me deparado diversas vezes. A cosplayer é ninguém menos que a coordenadora do Chest of Wondersmaid café que marca presença em vários eventos – e possui até sua própria convenção.

Kath me contou sobre os bastidores do café, seus outros projetos no mundo cosplay e seus horizontes profissionais.

Confiram a entrevista abaixo:

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Qual é a sua idade e há quanto tempo trabalha com cosplay?

Tenho 24 anos, faço cosplay desde os 17 e trabalho com cosplay desde o ano passado. Com o maid café, comecei a trabalhar três anos atrás.

Você é a organizadora do maid café Chest of Wonders. Pode contar um pouco sobre seu trabalho? O que rola nos bastidores de um maid café? Que tipos de atividades vocês já realizaram? Quais ainda pretendem realizar?

Nós somos um grupo que faz uma cafeteria em estilo maid, como no Japão, só que fazemos isso em eventos. Temos nosso próprio evento e também participamos com espaço temático nos outros eventos de anime, cosplay, eventos geeks etc. Nós montamos uma mini cafeteria nos eventos para trazer as atrações dos maids cafés japoneses: um café mais fofinho, com uma comida mais decorada e um atendimento mais atencioso, direcionado ao público desse nicho.

Rola bastante coisa nos bastidores, trabalho duro e cansaço, principalmente. Mas é um trabalho duro que a gente faz para nosso público– os “mestres”, como são chamados os clientes do maid café.

Nós também fazemos um evento só de maid cafés, o Maid Café Day. Alugamos um salão e montamos um mega restaurante de um dia, com atrações no palco, lojinhas na parte de fora, brincadeiras, gincanas, concurso de cosplay e muitas outras coisas. Ele já está na terceira edição e terá muitas outras, se der tudo certo.

Chegar até aqui foi difícil. Tivemos de aprender muito com os erros e tudo mais. Nossa pretensão daqui para a frente é participar de eventos ainda maiores, fazer nosso evento crescer e, futuramente, abrir nosso maid café físico, um espaço que seja como um restaurante normal com essa temática e todas as atrações que cabem dentro dela.


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Quão populares são os maid cafés Brasil afora? Vocês realizam alguma espécie de intercâmbio ou projetos conjuntos?

Eu justamente conheci os maid cafés por causa de um maid café que fazia eventos aqui no Brasil. Eu vi isso na internet, daí fui buscando e conhecendo mais e percebi que vários outros faziam eventos Brasil afora. Esses grupos têm feito um trabalho muito legal, mas também muito diferente do que há no Japão. Acredito que se eu consegui me informar a respeito dos maid cafés a partir de um maid café brasileiro de evento é sinal de que são muito populares.

As pessoas também têm conhecido muito os maid cafés por causa da gente. Eu já fiz até uma pesquisa e muitos responderam que não conheciam os cafés antes e passaram a conhecer a partir das nossa atividades.

Eu já cheguei a conversar com outros maid cafés de outros lugares para trocar experiências. Até tem um grupo no Facebook, o Maid Café Brasil, que reúne vários maid cafés de estados diferentes. Mas o máximo que eu já fiz de projeto conjunto foram trocas de divulgação, parcerias na internet, etc.

Há também uma menina que está com a gente atualmente que faz parte de um maid café de Goiânia. Quer dizer, faz parte remotamente, administrando a lojinha eletrônica e coisa do tipo. Como ela nunca teve a oportunidade de participar dos eventos de lá, ela entrou para o nosso também, já que gostamos muito do trabalho dela.

Mas nós temos vontade de fazer eventos em conjunto. Tanto que a proposta do Maid Café Day era a de ser uma convenção dos maid cafés que existem em São Paulo.


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Algumas maids do Chest of Wonders me contaram que já houve uma tentativa de se criar um maid café físico no Brasil, nos moldes do que há no Japão. Você prevê iniciativas desse tipo surgindo no futuro?

Não só prevejo, como eu sou uma dessas iniciativas (risos). Nós temos nosso trabalho nos eventos justamente para criar nosso maid café fixo. Pois não tem como tirarmos nosso dinheiro do nada – e mesmo se tivéssemos, se nós não criássemos antes nosso público, nossa credibilidade, ele poderia até fazer sucesso no começo, mas depois as pessoas iriam largar, e ele iria falir.

Não só esse trabalho que a gente faz é um investimento financeiro, mas um investimento também para criar um público, uma fidelidade, uma confiança no nosso trabalho para que a gente possa ter sucesso em um maid café fixo.

Essa tentativa de criar um maid café físico foi feita por meio do Catarse. Eu até cheguei a conversar bastante com a responsável, e ela ainda está tentando fazer isso funcionar de outra maneira. Eu também acho que haverá outras pessoas que tentarão. Muita gente já me falou que seu sonho era criar um maid café, mas nunca vi gente realmente trabalhando para isso, como nós estamos fazendo. Se alguém de fato conseguir abrir um maid café antes do nosso, espero que essas pessoas façam bem feito para não queimar a imagem dos maid cafés no geral.

Na verdade, já existiu um maid café fixo em Manaus. Foi uma coisa mais clean, mais simples. Não tinha tanto essa coisa kawaii japonesa. Era basicamente uma doceria com maids. Não sei por que não deu certo, mas parecia bem legal. Talvez a região não estivesse acostumada a essas coisas kawaii do Japão.

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Você já foi organizadora da balada Nerd Paradise. O que exatamente é uma balada nerd? Como foi sua experiência no evento?

Uma balada nerd pode ser definida como uma balada que envolva qualquer coisa do meio geek. A Nerd Paradise surgiu com a ideia de ser como um evento de anime só que noturno, onde as pessoas também pudessem dançar, beber, paquerar como em uma balada normal.

A experiência que a gente teve foi muito legal, pois conseguimos criar um espaço que agradou a quem gostava de balada e também quem não gostava. Era um lugar pequeno, mas com várias áreas, incluindo espaços de swordplay, games, concurso de cosplay na parte de fora. Tinha atração para todos os gostos.

Organizar essa balada não foi nada fácil. Eu a organizei com mais três pessoas. É bem difícil ter de lidar não só com as responsabilidades, mas também com as pessoas. Foi também uma coisa que não trouxe um retorno, pois foi a primeira vez, e o público não apareceu em peso para lotar o espaço. Mas, como o pessoal gostou bastante, é provável que em uma próxima edição faça mais sucesso.

O problema é que a gente está muito atarefado e está difícil se organizar para montar uma outra edição. Mas a ideia é que ela ocorra sim.

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Que outros trabalhos você já realizou como cosplayer? O que a levou a fazê-los?

Já trabalhei como figurante cosplayer em um seriado da Fox, em um evento corporativo organizado por uma empresa de computadores, e também já fiz um trabalho para a campanha política de um vereador. Esse último foi bem legal, pois foram vários dias, e conseguiu me salvar muito bem das dívidas ocasionadas pela balada nerd.

O que me motivou a fazê-los foi, primeiramente, a questão financeira. O maid café não dá um lucro para mim – o lucro vai justamente para montar nosso próprio maid café. Além disso, eu vendo lentes para cosplay. Também é outro trabalho relacionado à área. Só que é algo bem incerto, né? Então eu precisei fazer esses trabalhos para ganhar um dinheiro. E também porque é legal trabalhar com algo que você gosta e ter um retorno com algo que você fez com suas próprias mãos. Você criou o seu cosplay e pôde mostrar ele para o público, trabalhando e ganhando dinheiro com aquilo. Isso é muito legal.

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Você tem interesse em se engajar em algum tipo de trabalho com cosplay que ainda não fez? Quais são seus horizontes?

Eu tenho muita vontade de trabalhar com festas infantis. Pelo menos para ter a experiência de lidar com as crianças. Como elas já gostam de me ver quando eu estou de maid, ser princesa em algum aniversário deve ser muito legal. É uma coisa com que ainda não tive oportunidade de trabalhar.

Também gostaria de ser contratada por algum estande em um evento importante, como a BGS e a CCXP. Eu acho muito gratificante estar ali representando aquela empresa que você admira, que fez aquele jogo de cujo personagem você fez cosplay.

E você? Trabalha ou trabalhou com cosplay e tem uma história interessante para contar? Entre em contato com a página

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Publicado por

Vinicius Marino

Nerd, historiador, fã de Satoshi Kon e Mass Effect

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