Seleção Finisgeekis: os destaques do Oscar 2017

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Sejamos sinceros, o Oscar é um exercício em masoquismo.

Seus critérios são ditados pela política. A cerimônia dura quatro horas e nos segura até a madrugada. O prêmio ganhou o status de “premiação máxima do cinema” à revelia de Cannes, Veneza, Berlim e tantos outros festivais importantes.

Mesmo assim, ano após ano me flagro conferindo sua lista de indicados – e constatando que, a pesar dos pesares, há muita coisa boa sendo feita.

2016 não foi uma exceção. Embora não ache que nenhum desses filmes levará muitas estatuetas, trago abaixo uma lista dos filmes que, por um motivo ou por outro, merecem a atenção:

A Chegada

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Adaptação do conto História da Sua Vida do badalado Ted Chiang, o longa é uma das melhores ficções científicas de memória recente – talvez a melhor desde Interestelar (2014).

Sua trama acompanha Louise Banks, uma linguista contratada pelo exército americano para se comunicar com alienígenas que chegaram misteriosamente ao nosso planeta. Em um cenário de tensão política, Banks precisa descobrir como se comunicar com os visitantes antes que o primeiro contato se torne o estopim para uma guerra mundial.

Intimista, profundo e bem feito ao exagero, o filme é um prato cheio para fãs de sci fi cerebrais.

Manchester à Beira-Mar

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Um faz-tudo de Boston recebe a notícia de que seu irmão morreu, deixando para trás um filho adolescente. Forçado a retornar para sua cidade natal, ele precisa enfrentar o passado que abandonou  enquanto recolhe os cacos de sua família despedaçada.

Como bem disse minha noiva com seu vocabulário camoniano, Manchester à Beira-Mar é um filme sobre pessoas fudidas fodendo-se ainda mais. É uma história sobre os white trash que levam uma nova rasteira da vida a cada manhã, mas se levantam a cada tombo.

Dos filmes da minha lista, Manchester à Beira-Mar é talvez aquele que tem mais chance de levar uma estatueta. Nada mais justo. O filme é de uma sinceridade afiadíssima. Consegue ser triste, mas não deprimente. Não toma atalhos açucarados, mas tem nisso um quê de reconfortante.

Nas palavras de um crítico, sua tristeza é não é do tipo que nos induz a cortar os pulsos, mas que nos faz sentir ainda mais vivos.

Pear Cider and Cigarettes

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Animação adulta e 2D não são coisas que associamos à academia americana. Tudo tem uma exceção: neste ano, ela se chama Pear Cider and Cigarettes. 

Concorrendo ao oscar de melhor curta animado, o filme conta a história real de seu criador, Robert Valley, atravessando o mundo para salvar seu amigo de uma vida de alcoolismo e libertinagem.

Baseado em uma graphic novel e financiado via Kickstarter, o curta tem um roteiro simples e visuais de cair o queixo. Veterano da indústria, Valley foi o animador por trás do clipes da banda Gorillaz, e seu estilo urbano e descolado pode ser reconhecido em cada frame.

O Lagosta

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Talvez o concorrente mais inusitado da lista, O Lagosta é um representante do teatro do absurdogênero que se vale do nonsense para criticar as mazelas da vida cotidiana.

Neste caso, acompanhamos a sina de um mundo em que ser solteiro é crime. Quem porventura perde seu parceiro é enviado a um hotel, onde tem 45 dias para encontrar um novo par. Aqueles que não conseguem conquistar ninguém são transformados em animais (daí o título peculiar).

Engraçado e desesperador, o filme é uma sátira da nossa obsessão por companhia – e do nosso orgulho pela solteirice. Não posso prometer que você gostar, mas dificilmente verá um filme mais criativo tão cedo.

Kubo e as Cordas Mágicas

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Serei direto: Kubo é a melhor animação a ser nomeada para o Oscar desde O Conto da Princesa KaguyaNão por acaso, tem muito em comum com o anime de Isao Takahata. Ambos são inspirados no folclore japonês, possuem uma mensagem melancólica sobre família e pertencimento e trazem ao século XXI técnicas belíssimas – e tradicionalíssimas – de animação.

O longa acompanha Kubo, um menino dotado de um shamisen mágico, capaz de fazer com que origamis ganhem vida. Perseguido pelo seu avô, o rei do mundo da Lua (pense Princesa Kaguya, não Sailor Moon) Kubo parte em uma jornada para encontrar seu pai, o famoso espadachim Hanzo.

Não deixe seus olhos enganá-lo. Kubo não é um filme em CG, mas stop motion. Que o longa pareça tão deslumbrante é prova de que o estúdio Laika (Coraline, ParaNorman) levou a técnica ao seu ápice.


Como disse, há uma boa chance que nenhum desses títulos seja premiado. Não deixe isso amuar seu entusiasmo: na história do Oscar (como em todos os prêmios), não faltam obras marcantes que nunca faturaram uma estatueta.

Que tenham sido indicados, no entanto, já é uma vitória em si. E algo pelo qual só tenho a agradecer: do contrário, talvez não os tivesse conhecido. O Oscar não é perfeito, mas tem seus usos.

Bom filme, e até a próxima!

 

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Publicado por

Vinicius Marino

Nerd, historiador, fã de Satoshi Kon e Mass Effect

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