Profissionais do Cosplay: Kayo Corner

 

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Créditos: Nathan Gey Photography

interview englishNo mundo nerd, poucos hobbies são tão icônicos quanto o cosplay. Seja em convenções, flash mobs ou mesmo trailers de games, a arte de mimetizar aparências e interpretar personagens se tornou parte inseparável do nosso meio.

Alguns, contudo, ousaram ir além. Vários cosplayers conseguiram realizar aquele que, com certeza, é o sonho de todos nós: fazer daquilo que mais amamos um trabalho.

Nessa nova coluna, eu trago a vocês depoimentos daqueles que, de uma maneira ou de outra, se transformaram em “profissionais” do cosplay. Para alguns, foi uma atividade paralela, uma forma, muitas vezes, de custear os próprios trajes. Para outros, uma segunda vida fazendo aquilo que mais amam. Para outros, ainda, uma profissão ao qual se dedicam noite e dia.

Kayo Corner é uma cosplayer polonesa, participante ávida de concursos europeus e cosmaker. Em nossa conversa, ela me contou sobre a vida de cosmaker, sua paixão pelo ECG e sobre como é o mundo geek na terra de The Witcher.

Confiram a entrevista abaixo:

Qual é a sua idade e há quanto tempo trabalha com cosplay?

Eu tenho 21 anos e faço cosplay desde 2009 🙂

Na sua página de Facebook, você menciona que faz cosplays por encomenda. Quão importantes são estas encomendas na sua rotina? Você vive disto?

Eu sou uma estudante de artes, e meus projetos na faculdade são minha prioridade agora. Eu geralmente pego uma encomenda de prop por mês, de forma que eu possa terminá-la com o resultado desejado sem ter de correr. Eu também faço projetos maiores, mas isto requer prazos mais longos.

Eu aceito encomendas para ganhar dinheiro para meus cosplays – obviamente, não é hobby mais barato do mundo. Esta foi a razão pela qual eu decidi começar a recebê-las.

Como cosmaker, qual é a sua rotina de trabalho? Você trabalha em casa ou tem um ateliê?

Eu sempre começo com uma pesquisa GRANDE e anoto tudo o que preciso comprar/fazer. Na minha opinião, um bom plano é a parte mais importante do cosmaking, pois se eu sei exatamente o que eu vou fazer em um traje, eu trabalho 100x mais rápido. Então eu faço as compras (geralmente em lojas de material de construção) para que eu não tenha de me preocupar se faltará cola ou qualquer outra coisa (mas sempre acontece).

O próximo passo é a confecção em si! Eu trabalho em casa porque eu tenho uma garagem grande, que meu pai transformou em um ateliê (ele é tipo um faz-tudo). Nós a compartilhamos (e às vezes temos problemas com espaço), mas sou eu quem tranca o lugar e trabalha duro por lá na maioria das vezes!

Do primeiro contato do cliente até a entrega do cosplay, como você lida com seus pedidos?

Eu coloquei um anúncio em um site de cosplayers com informação de contato. Esse é o principal canal para os interessados. O Facebook também é útil para encontrar alguns clientes. Os clientes sempre me enviam algumas informações sobre um prop ou traje que eles desejam – fotos de referência, prazo, país onde vivem, dados adicionais, etc. Então nós negociamos um orçamento, pagamento e método de entrega e os materiais que irem utilizar. Quando tudo está pronto, eu começo a reunir os materiais e fazer o traje.

Tudo isso leva tempo, então eu providencio fotos de progresso. Quando a encomenda está pronta, eu envio as fotos das peças finalizadas para o cliente 🙂 É isso!

Você já aceitou encomendas de clientes internacionais, ou você trabalha majoritariamente no seu próprio país?

Não é muito comum na Polônia encomendar cosplays de outras pessoas, então eu trabalho mais com clientes internacionais.

Qual é o seu processo de pesquisa? Você segue exclusivamente o material de origem ou busca inspiração em outros lugares?

Eu sou um pouco obcecada em fazer tudo tão fiel quanto possível, então eu sigo o material de origem. Mas se um cosplay é inspirado por outras fontes da vida real (por exemplos, os trajes de The Witcher), eu também faço minha pesquisa nessas coisas. Quando eu estava fazendo o cosplay de Priscilla, eu li muitos artigos e livros sobre vestimentas nio período histórico que foi inspiração para o seu visual.

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Créditos: MBD Photography

No seu país, existem oportunidades para trabalho como cosplayers em convenções (como hosts, maquiadores, fazendo consertos em trajes)? Você já trabalhou em algo do tipo?

Contratar cosplayers está se tornando mais comum na Polônia a cada dia que passa, e isso é incrível!

Quando você faz um cosplay ligado a uma companhia que te contrata (ex. o cosplay de uma personagem do último jogo de um estúdio) é um trabalho parecido com o de uma hostess. Você fica ao lado de um estande e encoraja as pessoas a visitá-lo.

Também há outras oportunidades. Por exemplo, quando te pedem para fazer um traje para uma modelo ou algo do tipo.

Eu fiz um trabalho assim até agora. Eu estava trabalhando em um parque de diversões vestida como o Soluço do filme Como Treinar o Seu Dragão. Meu trabalho era interagir com as crianças e fazer algumas coisas com elas, como máscaras de super-heróis.

Num editorial recente, a Hayley Williams do Kotaku disse que trabalhos remunerados de cosplay em convenções são minados por cosplayers dispostos a trabalhar de graça, assim como pela mentalidade de que cosplay deve ser feito por amor, não por dinheiro. Você concorda com esse diagnóstico? Se sim, você vê alguma solução?

Eu concordo com a autora do artigo. Eu acho que cosplay obviamente é para se divertir, mas também pode ser uma profissão, e trabalho duro deve ser recompensado.

Trabalhar em um estande como cosplayer é muito mais difícil do que passear por um evento. Usar um cosplay é legal, mas pode se tornar um pesadelo quando você tem de vesti-lo por 8h seguidas com pausas bem curtas.

Eu também não vejo nenhum problema em transformar seu hobby em um trabalho. É o sonho de todo mundo, não é? Você está fazendo algo que você ama para ganhar dinheiro, então você faz seu trabalho com paixão, porque não é só uma obrigação triste. 😀 Unir trabalho a alguma coisa que eu amo é algo que eu própria adoraria conseguir fazer.

Infelizmente, eu não vejo nenhuma solução para o problema mencionado no artigo. Eu acho que ele deve ser lido por todo mundo, para que as pessoas fiquem cientes do problema.

Para além da realização pessoal, o que uma cosplayer busca em concursos? (Renda, prestígio, networking?) Você participa de muitos concursos? É possível se profissionalizar no âmbito do cosplay sem participar de concursos?

Eu, pessoalmente, escolho concursos que me permitem mostrar meus trabalhos em outros países, como o Eurocosplay, ECG (European Cosplay Gathering), etc. Nós não temos seletivas do WCS (World Cosplay Summit) na Polônia, mas se tivéssemos eu participaria sem hesitar! Eu amo conhecer os finalistas de outros países (que são incrivelmente talentosos e experientes), aprender com eles sobre cosmaking, ouvir suas opiniões sobre a comunidade, sobre os lugares de onde vêm, etc.

Participar de eventos como esses também te dá a oportunidade de ser vista por pessoas fora do seu país e divulgar seu trabalho para um público maior.

Eu acho que é possível se tornar um cosplayer profissional sem participar em concursos. Existem tantos cosplayers que os concursos se tornaram menos importantes do que eles eram no passado (é por isso que os prêmios estão ficando maiores). Na Polônia, é importante estar nos maiores eventos e convenções (e ser ativa nas redes sociais) para que as pessoas começem a reconhecê-la mais. Então você precisa pegar alguns contatos. Daí, você já está no caminho para um “trabalho de cosplay” 😀

Conversando com cosplayers para fazer essas entrevistas, encontrei a opinião de que concursos internacionais de cosplay estão sendo prejudicados por uma atmosfera de competição tóxica, que estaria afastando cosplayers. Você concorda com esse julgamento? Você já vivenciou alguma coisa do tipo (seja em primeira mão, seja de colegas)?

Eu já ouvi falar disso, mas nunca vivenciei. Eu definitivamente não concordo com esse julgamento. Minha primeira final do ECG foi a coisa mais inspiradora que já aconteceu comigo. Todos os participantes foram muito prestativos e amigáveis. Nós estávamos torcendo um para o outro nos bastidores, dividindo nossas experiências, etc. As pessoas do ECG são extremamente talentosas, mas também pés-no-chão. Esse concurso foi a razão pela qual eu comecei a trabalhar com ainda mais afinco nos meus cosplayers – eu quero ser estupidamente talentosa que nem meus amigos internacionais.

As finais do ECG são minha melhor memória do mundo do cosplay. É por isso que eu participei das seletivas de novo e ingressei nelas de novo (dessa vez na categoria de grupo, com o meu namorado, The VU)!

 

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Créditos: The VU

 

A comunidade brasileira de cosplay periodicamente se mobiliza contra queixas de que concursos e veículos midiáticos estariam estimulando hierarquias no hobby. Segundo essa visão, alguns tipos de cosplay (sobretudo os envolvendo armaduras) são mais premiados e recebem uma cobertura maior da mídia do que outros. Você concorda com isso? Você acredita que cosplayers possam estar planejando seus trajes e performances de acordo, para maximizar sua visibilidade?

Esse é um problema na Polônia também. Há uma chance maior de ganhar um concurso se o seu cosplay é grande e impressionante de longe, mesmo se é feito porcamente olhando de perto. Para evitar isso, os organizadores das convenções mais importantes escolhem cosplayers bem experientes para integrarem o juri dos seus concursos. Nestes casos, o tamanho deixa de ser relevante. Eles apreciarão confecção de qualidade, e você pode ganhar com qualquer tipo de cosplay.

Alguns cosplayers obviamente escolhem projetos gigantes para ganhar, mesmo se eles não são habilidosos o suficiente para executá-los direito, mas como eu disse, não é um problema nas convenções maiores.

Cosplays frequentemente são mencionados em discussões sobre direitos autorais. Em tese, character designs são propriedade de seus respectivos estúdios/editoras, e qualquer lucro sobre eles é vetado a terceiros. Você já teve ou testemunhou algum problema em relação a isso? Você acredita que isso seja um fator limitante para o crescimento da profissão?

Eu nunca testemunhei nenhum problema envolvendo direitos autorais, mas eu acho que é uma questão importante que todo cosplayer profissional deve ter em mente. Em contrapartida, há muitos casos em que os próprios donos dos designs contratam cosplayers. Então eu acho que existe um problema, mas não é tão limitante como poderia ser.

Como é a cena de cosplay na Polônia? Ainda é um hobby de nicho, ou já ganhou popularidade com o boom da cultura geek na década passada?

A comunidade de cosplay ficou gigante nos últimos anos. Em 2009, quando eu comecei a fazer cosplay, todos os cosplayers se conheciam, o maior prêmio em um concurso era um mug, etc.

Alguns anos depois, o cosplay ficou MUITO popular, da noite para o dia. Todo mundo queria ter um cosplay para passear nas convenções. Algumas pessoas começaram a ver o cosplay como uma oportunidade profissional, então mais e mais trabalhos ligados ao cosplay começaram a aparecer. Até a TV polonesa é hoje super interessada na comunidade cosplay.

No Brasil, muito embora convenções sejam nominalmente dedicadas a alguns nichos, elas funcionam como celebrações da cultura geek como um todo. Independente de seu “propósito”, é possível encontrar de tudo, de cosplayers de anime até trekkies. Na Polônia é a mesma coisa, ou convenções diferentes atendem a tribos diferentes?

Na Polônia é a mesma coisa nesse aspecto. As pessoas usam o cosplay que querem, então não é difícil ver o Comandante Shepard em convenções de anime ou garotas kawaii de mangás em eventos de fantasia 😀

Como você vê o futuro profissional do cosplay? Você acredita que o meio esteja aumentando ou diminuindo?

Eu acho que está definitivamente se expandindo. A mentalidade das pessoas está mudando, e elas pararam de enxergar o cosplay como um hobby para crianças. O número de empregadores em potencial está crescendo a cada dia 😀

É possível para uma cosmaker migrar ou avançar para áreas análogas? Por exemplo, começar a carreira produzindo cosplays e eventualmente trabalhar com vestuário de cinema? Há quem tenha feito isso?

Eu acho que é possível, já que cosplayers são muitas vezes mais talentosos e criativos que figurinistas profissionais. Agora, quando as pessoas se tornarem mais familiares com cosplay, será mais fácil fazer isso. Eu conheço algumas pessoas na Polônia que começaram como cosplayers e agora trabalham com figurino, maquiagem, etc.

Vejo que várias cosplayers utilizam os serviços de fotógrafos profissionais. Já existe um segmento do mercado de fotos dedicado ao cosplay? E quanto a outras profissões análogas?

Não é muito comum na Polônia, mas está começando a crescer lentamente. Hoje em dia, cosplayers e fotógrafos geralmente vendem eles próprios seus prints. No entanto, não muitos cosplayers fazem isso. Fotógrafos de cosplay também são, geralmente, entusiastas pelo hobby e oferecem o tempo de ensaio em troca das fotos.

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Créditos: Studio Zahora

A maioria dos cosplayers usa pseudônimos. Você pode me falar um pouco sobre este hábito? Você sabe qual é a origem da prática?

Eu sei que para algumas pessoas é muito difícil escolher seu pseudônimo. Isto não é surpreendente, já que é como seu segundo nome – as pessoas irão te associar a ele. Eu penso que é como um nome artístico. Uma vez que você o escolha, será muito difícil mudar!

De onde veio o seu pseudônimo? Como você o escolheu?

Eu não pensei muito sobre isso quando o escolhi. Quando eu comecei a visitar convenções era legal ter um apelido. Eu escolhi o nome de uma das minhas personagens favoritas de mangá na época (Yomi) e adicionei a primeira sílaba do meu nome (Karolina). Foi assim que a Kayomi nasceu 😉

Agora eu sou muito mais uma gamer do que uma otaku, mas todo mundo me chama de Kayo (de “Kayomi”), então é impossível mudar. Eu já me acostumei, então está tudo bem. 😀 É também meu apelido na internet.

Minha página de cosplay se chama “Kayo Corner” porque é meu “cantinho” acolhedor 😀 Não era originalmente parte do meu pseudônimo (era só para se referir a esse espaço), mas as pessoas começaram a tratar o corner como parte do apelido, ou até mesmmo meu sobrenome, então agora é mais importante que nunca. Eu nem sei se devo me apresentar como Kayo ou Kayo Corner haha!

E você? Trabalha ou trabalhou com cosplay e tem uma história interessante para contar? Entre em contato com a página

Kayo Corner is a Polish cosplayer and an avid participant in European contests. In our talk, she told me about the life of a craftswoman, her passion for the ECG and the geek scene in the land of The Witcher.

Read the interview below:

How old are you and how long have you been working with cosplay?

I’m 21 years old and I’ve been cosplaying since 2009 🙂

In your page details, you mention you accept commissions. How big a part of your routine are these jobs? Do you make a living out of it?

I’m an art school student, and university projects are my priority right now. I’m usually taking one prop commission per month, so I can finish it with the desired result without a rush. I also make bigger projects, but that requires longer deadlines.

I’m making commissions to earn money for my costumes – It’s obviously not the cheapest hobby in the world. That’s the reason why I even decided to start taking them.

As a cosplay maker, what is your work routine? Do you work at home or do you have a workshop?

I always start with a BIG research and writing down everything I need to buy/do. In my opinion, a good plan is the most important part of costume making, because if I know how exactly I’m going to make a costume, I’m working like 100 times faster. Then I’m making big shopping (mostly in DIY shop) so I don’t have to worry if there won’t be enough glue or something (it always happen anyway).

The next step is actual costume making! I work at home, because I have a big garage there, which my dad changed into a workshop (he is like a handyman). We share it and sometimes we have some problems with space, but I’m the one who locks the place and works hard way more often!

From a client’s first contact to the costume’s delivery, how do you deal with your commissions?

I’ve posted an ad on a website for cosplayers with contact info and that’s the main source for interested people. Facebook is also helpful to find some clients.

Clients send me some information about a prop or a costume they want me to make – reference pictures, deadline, country they are from, some additional info etc. Then we are discussing a quote, payment and shipping method, and materials I’m going to use. When everything’s set I’m starting to collect needed materials and building the costume. It takes time so I provide progress pictures. When the commission is finished, I send the pictures of the finished pieces and send it to a client 🙂 That’s it!

Have you ever accepted commissions from international clients, or do you mostly operate in your country?

It’s not very popular in Poland to order costumes from someone else, so I mostly work with international clients.

What is your research process? Do you follow the source material exclusively or do you look for inspiration elsewhere?

I’m a bit obsessed with making everything as accurate as possible, so I follow the source material. But if costume is inspired by some designs in real life (costumes from The Witcher for example), I’m also doing my research there. When I was making Priscilla costume, I’ve read a lot of articles and books about clothing in the historical period which was an inspiration for her looks.

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Créditos: MBD Photography

In your country, is there a field for cosplay jobs in conventions (as hosts, make-up artists, doing last-minute costume repairs)? Have you yourself ever done this kind of work?

Hiring a cosplayer is getting more common in Poland every day and that’s awesome! It’s usually a job similiar to a hostess when you are making costume connected to a company that is hiring you (eg. A costume of a character from the newest game of a studio) and then you are standing on a stand and encouraging people to visit it.

There are also other offers like a job when you are asked to make a costume for a model or something smilliar.

I’ve done one job like that so far. I was working in a big amusement park dressed as Hiccup from How to Train your Dragon. My job was to interact with children and do some creative activities with them like making foam superhero masks.

In a recent op-ed, Kotaku’s Hayley Williams argued that paid cosplay jobs at conventions are hampered by cosplayers willing to work for free, as well as by the mentality that one should cosplay out of love, not profit. Do you agree with her point? If so, do you see any solutions?

I agree with the article’s author – I think that cosplay is of course for fun, but can also be a profession and hard work should be rewarded. Working on a stand as a cosplayer is mostly harder then usual – wearing a costume for an event is fun, but can be a nightmare when you have to do it for 8 hours straight with a really short breaks. Also, I don’t see any problem with making your hobby a job – it’s everybody’s dream, right? You are doing something you love for living so you are doing your job with passion because it’s not a sad obligation anymore 😀 Connecting work with a thing I’m passionate about is something I’d love to achieve myself.

Unfortunately, I don’t see any solutions for a problem mentioned in the article. I think it should be read by everyone so people would be more aware of it.

Beyond the personal fulfillment, what does a cosplayer look for in contests (eg.: prizes, prestige, networking)? Is it possible to become a professional cosplayer without participating in contests?

Personally, I choose contests which allows you to show your work in other countries later on, like Eurocosplay, European Cosplay Gathering etc. We don’t have World Cosplay Summit selections in Poland, but if we had, I’d participate without hesitation! I just love meeting the finalists form other countries (which are crazily talented and experienced) and learn from them about costume making, hear their opinion about our community, about places they live in etc. Taking part in events like these also gives you a chance to be seen by people outside your country and share your work to a bigger audience.

I think it is possible to become a professional cosplayer without participating in contests. There are so many cosplayers that contests became less important than they were in the past (that’s why rewards are becoming more valuable). In Poland, it’s important to be on the biggest events and conventions (and be active on the social medias) so people will start to recognise you more. Then you need to catch some contacts and you’re en route to get a “cosplay job” 😀

In conducting these interviews, I came across the opinion that international cosplay contests were mired by an unhealthy, toxic competitiveness, which was prompting many cosplayers to refrain from participating. Do you agree with this judgment? Have you experienced anything of the sort (be it first-hand or from colleagues)?

I’ve heard about it, but I didn’t experienced it myself. I definitely don’t agree with that judgement. My first ECG finals were the most inspiring thing that happened to me. Every participant was very helpful and friendly. We were cheering for each other on the backstage, sharing our experiences etc. People there were extremely talented but also down to earth. That contest was the reason why I’ve started to work even harder on my costumes –  I want to be crazily skilled like my international friends.

ECG finals hold my best cosplay memory, that’s why I participated in selections again and took part in the finals (this time in a group category, with my boyfriend The VU)!

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Créditos: The VU

The Brazilian cosplay community periodically flares up with complaints that cosplay contests and news outlets are inciting hierarchies in the hobby. According to this view, certain types of cosplay (chiefly those involving suits of armor) are awarded more often and receive far better media coverage. Do you agree with this? If so, do you believe cosplayers might be planning their costumes and performances accordingly, to maximize their visibility?

It is an issue in Poland as well. There is a bigger chance of winning a contest if your costume is big and impressive from far away, even if it’s done terribly if you look closer. To avoid that, the organizers of more important conventions asks very experienced cosplayers to be the jury of a cosplay contest on their event, so then the size doesn’t matter anymore. They’ll appreciate good craftsmanship and you can win with any kind of costume.

Some cosplayers are obviously choosing giant projects to win, even if they aren’t skilled anough to execute them well, but as I said – it’s not a problem on bigger conventions.

Cosplay is often mentioned in discussions about copyright law. In principle, character and costume designs belong to their respective IP holders, and any sort of for-profit activity involving them is forbidden. Have you ever had or have you ever witnessed any issues concerning copyright? Do you believe this is might be a limiting factor to the growth of cosplay as a profession?

I haven’t witnessed any issue concerning copyright but I think it’s an important issue every professional cosplayer should be aware of. On the other hand, there are many cases when the actual owners of the designs and characters are hiring a cosplayer so it’s not a problem then. Therefore, I think it is an issue, but not as limiting as it could be.

How is the cosplay scene in Poland? Is it still a niche hobby, or has it gained acceptance following last decade’s geek culture “boom”?

Cosplay community became huge according to last few years. In 2009, when I started cosplaying, every cosplayer knew each other, the biggest reward on a contest was a mug etc.

A few years later, cosplay became VERY popular, just like that. Everybody wanted to have a costume on a convention. Some people started to see cosplay as business opportunity, so more and more cosplay-related jobs started to pop out. Even Polish television is now pretty interested in the cosplay community.

In Brazil, even though conventions are nominally geared towards specific niches, they function as celebrations of “geek culture” as a whole. No matter what the event was originally for, one can come across anything from anime cosplayers to trekkies.  It is the same in Poland, or do different conventions cater to different subcultures?

In Poland it’s just like in Brazil in this regard. People take any costume they want, so it’s nothing unusual to see Commander Shepard on anime conventions or cute manga girls on fantasy events 😀

How do you see the future of professional cosplay? Do you believe the field is shrinking or expanding?

I think it’s definitely expanding. People’s awareness is changing and they stop perceiving cosplay as na infantile hobby. The number of potential employers is increasing every day 😀

Is it possible for a cosplayer to reach out and become involved in related professional fields? For example, to start a career making cosplays and eventually work with costume design for cinema or TV? Are there those who have taken this step?

I think it is possible, since cosplayers are sometimes even more skilled and inventive than professional costume makers. Now, when people are getting more aware of cosplay, it should be easier to achieve that. I know a few people in Poland which started as cosplayers nad now they are working as costume makers, make up artists etc.

I have noticed that a lot of cosplayers make use of professional photography services. Is there a dedicated segment of the market geared towards cosplay prints and photoshoots? What about other related professions?

It’s not very common in Poland but it slowly starting to grow. For now, cosplayers and photographers are selling the prints by themselves. Nevertheless, not many cosplayers here are deciding to do it for now. Also, cosplay photographers are usually cosplay passionates and they mostly offer time-for-photos types of contract.

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Créditos: Studio Zahora

 

Most cosplayers use aliases. Can you talk a little bit about this practice? Do you know where it came from?

I’ve seen that sometimes people think very hard about the alias they should choose and it’s nothing surprising, because it’s like your second name – people will associate it with you. I think about it as an artist’s stage name. Once you choose one, it will be very hard to change it!

Where did your alias come from? How did you choose it?

I wasn’t thinking very hard about it. When I started to visit conventions it was just cool to have a nickname. I’ve chosed a name of my favourite manga character back then – Yomi and added the first syllable of my real name (Karolina). That’s basically how Kayomi was born 😉 Now I’m way more into video games than manga & anime, but everybody calls me Kayo (shortcut of Kayomi) so it’s impossible to change it now. I’m used to it so that’s okay 😀 It’s usually also my nickname everywhere on the internet.

My cosplay page is called “Kayo Corner”, because it’s my little working space, my cosy corner 😀 It wasn’t originally part of my alias (it was only defining this little space), but people started to treat the “corner” word as a part of my alias or even sometimes my surname, so it’s more important now and even I don’t know if I should introduce myself as Kayo or Kayo Corner haha!

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Publicado por

Vinicius Marino

Nerd, historiador, fã de Satoshi Kon e Mass Effect

2 comentários em “Profissionais do Cosplay: Kayo Corner”

  1. Caramba, que legal essa entrevista! ^_^ Não conhecia a Kayo mas ela me pareceu bastante profissional e compromissada, além de ter uma visão bem ampla e realista do cenário de cosplay. (Uma visão realista e sensata definitivamente falta a muitos cosplayers…)
    Trabalhar em um estande como cosplayer é muito mais difícil do que passear por um evento… verdade, nunca tinha pensado nisso. Sem contar a competição, justamente porque algumas pessoas ainda defendem que cosplay não deve ser uma atividade rentável ou uma “atração”, etc. Isso é um dilema, mas como ela falou, acho que o sonho mais comum hoje em dia é o de trabalhar com o que gosta.
    Quanto à atmosfera de competição tóxica, não acho que ela seja recente. Lembro que em 2008 eu já lia algumas das guerras de feudos que existiam sobretudo nos EUA, e já existiam personagens mundialmente controversas, como a campeã do WCS Francesca Dani (Itália). 😛
    Por fim, comentando a pergunta de pessoas que começam com cosplay e vão para outros meios, acho que o cenário na Polônia é bastante parecido com o cenário no Brasil, mas como lá a coisa de cosplay é menos tradicional do que aqui dá para ver esse tipo de coisa melhor por aqui. Por exemplo, o Mauricio Somenzari, bicampeão do WCS, é estilista profissional. Pessoalmente, conheço muita gente que começou fazendo cosplays para si e depois virou cosmaker, e daí passou a trabalhar com outros tipos de costuras. Eu também faço cosplays e eventualmente encomendas, apesar de não me considerar profissional. Além de maquiadores artísticos, mágicos, performers em geral… imagino que na Polônia as coisas tendem a ir pelo mesmo caminho.
    E achei muito legal a relação com os fotógrafos lá. Tenho a impressão de que aqui é mais difícil, mas não conheço muito da cena.
    Enfim, foi bem legal conhecer mais da realidade de uma cosplayer profissional de um país como a Polônia! Grata pela entrevista! m(_ _)m

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